Oi, meu nome é Caco. A minha estória é a história de hoje.
Dois meses sem te ver. Os cabelos pareciam mais longos, o olhar mais preciso ou mais perdido, talvez. O ônibus balançava pelos paralelepípedos da cidade histórica. Quando entrou parecia uma espécie de visão trágica, horrível, filme de terror. Tentei cobrir os olhos para não vê-la, mas não consegui. Toda a massa humana que eu havia evitado durante esses duros e longos 2 meses acabara de ressurgir das cinzas.
“Mas que me merda!” Pensei, o que ela fazia ali, naquele ônibus, naquele horário. De certo havia encontrado algum namorado por aquelas bandas. E que azar o meu, saberia os horários e dias de encontros, se bem que havia outras horas, além daquela que eu sempre estava.
Não me viu. Sentou perto do cobrador sonolento, pensei em chamá-la, ou pelo menos avisar que aquele não era um lugar muito seguro para sentar-se.
Mas que burra... Tão inocente, tão pura, tão doce, tão bela, tão... NAO, NÃO e NÃO.
Dei dois socos na cabeça.
Olhei pela janela, a paisagem passava rápido; a vida deveria ser assim também, passando muito rápido e nós não percebemos, não vemos. Para quem estava lá fora tudo estava devagar, mas eu via a real velocidade das coisas.
O chacoalhar do 345 trazia um sono gostoso, mas hoje eu mais parecia uma coruja. O inesperado encontro, que nem encontro era, causou uma explosão dentro de mim, só que eu não estava concentrado nisso, senão eu explodiria.
Desde que ela me deixou venho tentando juntar os pequenos cacos, tornei-me um grande espelho quebrado, e cada pedaço que resgato e coloco no lugar, machuca mais um pouco minhas mãos calejadas.
Ela se levantou, agora eu não teria escapatória, de certo me veria ali, magro, cabelo despenteado, mal vestido, talvez até sentisse pena. Odiei o fato de ela me ver assim, não queria que ela soubesse a verdade, embora ela soubesse de qualquer jeito. Sabíamos o que o outro pensava só com o olhar, o toque... Um suspiro significava muitas palavr....NÃO, NÃO.
Desejei derreter e parar bem debaixo do banco, tentei e não consegui esse efeito fantástico de um dos vilões de O Homem Aranha.
Ela procurava alguma coisa alguma coisa na bolsa, e sem olhar para os lados passou por mim! NÃO, não acredito que não tenha me visto.
Agora gostaria que tivesse. Que abominável masoquista sou eu. Queria levar um sorriso vazio para casa.
Virei o rosto e praticamente subi no banco. Ela estava parada perto da porta de trás do ônibus enquanto ainda mexia na bolsa, agora quase que em desespero.
O 345 parou no ponto, quando foi descer virou de súbito o rosto e viu aquele ser que era eu, e a observava inclinado, quase querendo tocá-la.
Sua expressão era de surpresa, creio, não sei que expressão era, e não sei que expressão era a minha, desejei que não fosse muito assustadora, mas devia ser.
Ela desceu. Levantei e coloquei a cabeça para fora, continuei olhando e agora meu grande amor estava triste. Acenou com a mão que antes estava dentro da bolsa, e o que tinha na mão? Era uma arma? Era?
Não, não era. Não sei o que era, não vi. Nem sei para onde ia, àquela hora ali.
Desejei ficar com a cabeça para fora, e quem sabe uma arvore acabaria com o sofrimento que recomeçara.
Os cacos estavam no chão outra vez, e agora eu sentia sono.
13 março 2011
31 janeiro 2011
The end...
Ricardo estava certo, isso talvez fosse o que mais incomodava: a certeza do fim próximo.
Ele ama Rita tanto quanto ama a si mesmo. Amou-a e desejou-a durante todos os dias, mas sabia que deveria tomar uma decisão uma hora ou outra.
Rita ligou como fazia habitualmente, falaram-se, riram juntos como sempre.Rita trazia uma alegria pura, ela era uma espécie de milagre realizado. Tudo que Ricardo pediu a Deus havia naquele ser - humano, com uma ou outra coisa em excesso, mas havia. Fato é que na ligação, ela o informou que não se veriam no final de semana, como no anterior e anterior e talvez no próximo também.
Não o incomodava o fato de não se verem, apesar da dor da saudade, não era algo impossível de aceitar. Afinal, quanto tempo dura um final de semana?
Eu diria que tempo suficiente para esquecer, para endoidar, para o começo do fim.
Ricardo abriu sua garrafa de vinho. Estava sozinho de um jeito que não ficava a muito tempo, e de fato, sentia-se sozinho, de um jeito que não ficava a mais tempo ainda, desde que Rita apareceu, para ser mais exata. Encheu a taça, o vinho era demasiado seco, desceu um gosto amargo pela garganta, quem dera fosse apenas o sabor do vinho, que mais parecia vinagre.
Ele olhou por sua janela e avistou uma moça, talvez ela já estivesse ali outras vezes, mas Ricardo nunca se quer tinha notado. Estava com um vestido rosa que trouxe algumas lembranças da infância da fazenda onde cresceu. Ela sorria, era um sorriso diferente do de Rita, era desconhecido. De um desejo desconhecido.
Ricardo fechou rapidamente a janela. Como poderia pensar coisas horríveis? Não totalmente horríveis, mas no mínimo pecaminosas. Não, ele não poderia. Amava Rita, não amava?
Sentou-se no sofá que de confortável não tinha nada. Era um sofá vermelho, daqueles que você tem que sentar na posição correta, exatamente entre as tábuas, para não senti-las. A companhia toca. Seria a moça de vestido rosa? Seria muita maldição.
Era.
Ela precisava de uma informação. Que informação que nada, pensou Ricardo, está se oferecendo, Puta! “Vadias....as moças de hoje em dia”, sussurrou.
Ao voltar para dentro de sua casa segura, Ricardo se pôs a pensar onde estaria Rita. Talvez devesse ligar. Não soa nada bem ligar toda hora, ele gostaria de deixá-la livre, mas ligar apenas para dizer que sentia saudades não destruiria a liberdade de sua amada.
Ligou... Chamou, ninguém atendeu. Ligou outra vez e nada.
Onde está você, mulher?
Imediatamente lhe veio à imagem da Ninfa vestida de Rosa. Seria Rita uma destas? Não, claro que não. Rita era do tipo fiel, com bons e poucos amigos, trabalhadora que cuida da mãe, e ama os animais.
Mas essa dúvida, essa dúvida mesmo que maluca e precoce, mesmo que ele tenha certeza absoluta do amor de Rita para com ele a cada segundo...Essa dúvida estragou tudo.
Ricardo não era do tipo que esquece, que uma pequena coisa é pequena coisa. Muito pelo contrário: Ele é exagerado, que sofre por antecedência, que prefere terminar a adiar um sofrimento, a prolongar. Do tipo que volta atrás se preciso for, sabendo que nunca será como antes, sabe que “Uma coisa muda todas as coisas”.
Foi dormir. Oficialmente ele ainda namorava Rita e a amava, mas não como em todos os dias que antecederam este. Ele sentiu que aquela noite era o começo do fim dentro do seu coração.
Ele ama Rita tanto quanto ama a si mesmo. Amou-a e desejou-a durante todos os dias, mas sabia que deveria tomar uma decisão uma hora ou outra.
Rita ligou como fazia habitualmente, falaram-se, riram juntos como sempre.Rita trazia uma alegria pura, ela era uma espécie de milagre realizado. Tudo que Ricardo pediu a Deus havia naquele ser - humano, com uma ou outra coisa em excesso, mas havia. Fato é que na ligação, ela o informou que não se veriam no final de semana, como no anterior e anterior e talvez no próximo também.
Não o incomodava o fato de não se verem, apesar da dor da saudade, não era algo impossível de aceitar. Afinal, quanto tempo dura um final de semana?
Eu diria que tempo suficiente para esquecer, para endoidar, para o começo do fim.
Ricardo abriu sua garrafa de vinho. Estava sozinho de um jeito que não ficava a muito tempo, e de fato, sentia-se sozinho, de um jeito que não ficava a mais tempo ainda, desde que Rita apareceu, para ser mais exata. Encheu a taça, o vinho era demasiado seco, desceu um gosto amargo pela garganta, quem dera fosse apenas o sabor do vinho, que mais parecia vinagre.
Ele olhou por sua janela e avistou uma moça, talvez ela já estivesse ali outras vezes, mas Ricardo nunca se quer tinha notado. Estava com um vestido rosa que trouxe algumas lembranças da infância da fazenda onde cresceu. Ela sorria, era um sorriso diferente do de Rita, era desconhecido. De um desejo desconhecido.
Ricardo fechou rapidamente a janela. Como poderia pensar coisas horríveis? Não totalmente horríveis, mas no mínimo pecaminosas. Não, ele não poderia. Amava Rita, não amava?
Sentou-se no sofá que de confortável não tinha nada. Era um sofá vermelho, daqueles que você tem que sentar na posição correta, exatamente entre as tábuas, para não senti-las. A companhia toca. Seria a moça de vestido rosa? Seria muita maldição.
Era.
Ela precisava de uma informação. Que informação que nada, pensou Ricardo, está se oferecendo, Puta! “Vadias....as moças de hoje em dia”, sussurrou.
Ao voltar para dentro de sua casa segura, Ricardo se pôs a pensar onde estaria Rita. Talvez devesse ligar. Não soa nada bem ligar toda hora, ele gostaria de deixá-la livre, mas ligar apenas para dizer que sentia saudades não destruiria a liberdade de sua amada.
Ligou... Chamou, ninguém atendeu. Ligou outra vez e nada.
Onde está você, mulher?
Imediatamente lhe veio à imagem da Ninfa vestida de Rosa. Seria Rita uma destas? Não, claro que não. Rita era do tipo fiel, com bons e poucos amigos, trabalhadora que cuida da mãe, e ama os animais.
Mas essa dúvida, essa dúvida mesmo que maluca e precoce, mesmo que ele tenha certeza absoluta do amor de Rita para com ele a cada segundo...Essa dúvida estragou tudo.
Ricardo não era do tipo que esquece, que uma pequena coisa é pequena coisa. Muito pelo contrário: Ele é exagerado, que sofre por antecedência, que prefere terminar a adiar um sofrimento, a prolongar. Do tipo que volta atrás se preciso for, sabendo que nunca será como antes, sabe que “Uma coisa muda todas as coisas”.
Foi dormir. Oficialmente ele ainda namorava Rita e a amava, mas não como em todos os dias que antecederam este. Ele sentiu que aquela noite era o começo do fim dentro do seu coração.
25 janeiro 2011
Dor-zinha-inha
Se o ato de criar estivesse sempre relacionado à dor, eu não poderia escrever hoje, nem ontem, nem nunca.
Porque percebi que este sentimento “Dor”, é por excelência uma questão de escolha. Há quem sinta dor para tudo; desde dores de cólica, que é aceitável, à dor de frio, dor por falta de grana, por saudade, por vaidade e por amor.
O absurdo é que tenho observado e vi que tem gente que gosta de sentir dor, ou seja, amam aquilo que lhe traz sofrimento. Os corintianos, por exemplo.
Acredito que isto é um caso muito sério.
Já não sei como agir com uma amiga que ama o namorado que todos os dias a faz sofrer. Por que algumas pessoas acreditam que o amor verdadeiro traz esses tipos de dores? Por que as pessoas quando podem, simplesmente não se desfazem desse sentimento ruim?
Isso é uma doença grave, já vi até quem morreu por dor, viveu para dor. Triste, muito triste.
Tem gente que acorda e já procura por alguma dorzinha: “Não é possível estar tudo bem, alguma dor está perdida”, e procura como quem procura a chave de casa quando está apertado para fazer xixi.
Mas não pense que isso é doença de gente velha. Eu mesmo tenho amigas que vivem chorando de dor. Se estiverem namorando choram porque querem terminar e sair sozinhas, se estiverem solteiras choram de solidão. Além dessas, conheço aquelas que um espirro é motivo para começar a ladainha; o choramingo do quão estão doentes por isso não vão à aula e sim para a cama.
E essa anomalia começa desde criança. Sei que na classe do meu irmão tem uma garotinha que chora toda vez que tira uma nota menor que dez. 9,50 é motivo de choro, dor, apocalipse.
Evidentemente, não seria justo eu cá julgar dor de “fulano e beltrano”. Cada um sabe a dor que sente. Portanto, é importante ressaltar que foram apenas alguns comentários, infelizes e desnecessários, talvez... Mas não me importo, não vou sofrer por isso.
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